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Embora seja gratificante ver os efeitos positivos do cuidado no bem-estar do paciente, cuidar do outro pode causar estresse. Muitas vezes responsáveis pela alimentação, higiene pessoal e pelo acompanhamento da medicação, os cuidadores profissionais ou familiares acabam desenvolvendo o que vem sendo chamado de estresse do cuidador, que inclui sintomas como depressão e irritabilidade.

O desenvolvimento do estresse depende muito de fatores como a relação que o cuidador tinha previamente com o paciente, o grau de dependência física e a predisposição ao estresse. Com efeito, hoje os profissionais da saúde já enxergam os cuidadores como potenciais pacientes devido aos desafios do ato de cuidar.  A tarefa do cuidador envolve várias renúncias. Em alguns casos, como quando o cuidador é um familiar,  a profissão é abandonada para desempenhar a função, e atividades de lazer dão lugar às tarefas de cuidado do paciente – e até mesmo o autocuidado se torna secundário.

Neste artigo, você confere as 3 principais causas do estresse do cuidador e o que é possível fazer para reduzir esses riscos.

1.  Sobrecarga de trabalho

Um dos grandes fatores que influenciam a carga de trabalho é o nível de dependência do paciente, que pode ser leve, intermediário ou avançado. Em muitos casos, dependendo também do diagnóstico clínico, o paciente necessita de cuidados 24 horas.  Quanto maior for a dependência, claro, mais esforço é exigido para cuidar do idoso – que quando apresenta quadro de declínio cognitivo pode, ainda, dificultar os cuidados e aumentar ainda mais a carga de trabalho do cuidador.

A realidade da maioria das famílias brasileiras é contar com uma pessoa para dar conta de todas as demandas – que envolve desde a alimentação até ajudar com as necessidades fisiológicas. Independentemente de ser um cuidador profissional ou familiar, algumas práticas podem ser adotadas para diminuir essa sobrecarga.

Práticas para adotar

A primeira delas é solicitar ajuda sempre que necessário, seja para familiares, amigos da família ou vizinhos. É fundamental dividir as tarefas e o cuidador pode, inclusive, acionar a Justiça caso ocorra o abandono por parte de algum responsável.

Por menor que seja, o tempo que outra pessoa estiver cuidando do paciente permite que o cuidador descanse, faça uma caminhada ou frequente terapia. Todas essas coisas são importantes para a saúde do cuidador e, consequentemente, para um bom desempenho dos cuidados.

O cuidador também deve, quando possível, estimular a autonomia do idoso a partir do que ele ainda consegue realizar por conta própria. Além de ser bom para o paciente, tanto no sentido físico quanto no psicológico – de se sentir útil -, você consegue reduzir seu esforço físico.

2.  Perda de identidade

Uma das maiores consequências sentidas pelos cuidadores que passam muito tempo exercendo os cuidados é o afastamento em relação aos próprios hobbies e identidade. Conforme o grau de dependência do paciente aumenta, os cuidadores ficam cada vez mais imersos na experiência do adoecido. Ou seja, quando passa a desempenhar a função de cuidador, a pessoa precisa deixar de lado várias coisas que gostava de fazer para se dedicar aos cuidados com o outro. Essa dedicação implica em garantir a saúde e o bem-estar do idoso em detrimento de suas próprias vontades e, muitas vezes, da própria qualidade de vida.

Todos nós construímos nossas identidades a partir de vivências subjetivas e manifestamos ela por meio de costumes e comportamentos. Ao abrir mão do que gosta, o cuidador acaba por se afastar da própria identidade. Muitos cuidadores informais, inclusive, abandonam o mercado de trabalho e sua fonte de renda para cuidar de familiares adoecidos.

Práticas para adotar

Como essa é uma questão que se relaciona a carga de trabalho, ter alguém com quem compartilhar a função é muito importante. Além disso, faça metas e planejamentos compatíveis com sua nova realidade, começando por atividades que você gosta e que dê para incluir o idoso.

Outra questão é conseguir ter tempo para si mesmo, para hobbies e para o lazer e evitar o isolamento. É fundamental manter relacionamentos com outras pessoas, não apenas com quem é assistido. Assim, a pessoa consegue se expressar para além de sua função enquanto cuidador. Para isso, a tecnologia é um aliada, seja para combinar encontros online ou presenciais, e também interagir com outras pessoas que passem pelo mesmo problema ou que tenham hobbies semelhantes.

3.   Negligência ao autocuidado

Mesmo cuidadores profissionais e que, portanto, são pagos para executar as funções estão suscetíveis a negligenciar o autocuidado. Muitos desses profissionais, ao chegar em casa, têm outra série de atividades domésticas a cumprir e, por fim, só querem descanso até o próximo dia de expediente.  Os cuidadores familiares, por sua vez, em muitos casos desempenham a função sozinhos, dedicam 24 horas do dia para cuidar do idoso assistido – e por ser uma pessoa querida, volta toda sua atenção a ela, negligenciando o próprio bem-estar. Para desempenhar bons cuidados, entretanto, é necessário cuidar de si.

Ao ver o outro adoecido, o cuidador não se percebe um potencial paciente devido ao desgaste da função. Normalmente, inclusive, os sinais são alertados por profissionais da saúde durante consultas de avaliação do idoso. Preste atenção nisso!

Práticas para adotar

Uma vez que o cotidiano do cuidador depende muito da rotina da pessoa assistida, faça um planejamento para os momentos que estiver de folga. Nos casos do cuidador que desempenha a função sem auxílio, é fundamental contar com alguém que o substitua algumas vezes na semana. Assim, ele pode reservar essas horas para seguir seu planejamento de autocuidado.

Neste sentido, é importante utilizar o “tempo livre” para fazer exames de rotina e consultas com psicólogo, além de encontrar com amigos e realizar atividades que lhe são prazerosas. O autocuidado é fundamental para o bem-estar do cuidador, que influencia diretamente na qualidade do cuidado. Por isso, não deixe de se cuidar, ainda que para isso tenha que negociar com outros familiares ou mesmo seu empregador um tempo exclusivo para isso.

Apresentamos algumas dicas que podem ajudar o cuidador a aliviar o estresse, mas é muito importante que você procure um profissional de saúde especializado para te ajudar a se adaptar à rotina de cuidados sem comprometer sua própria saúde.

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